MG TD marcou revolução no esportivo inglês e inspirou o MP Lafer

Fundada em 1924, a MG Car Company ganhou destaque quatro anos depois, ao apresentar sua linhagem de esportivos rápidos e relativamente acessíveis. Um dos maiores sucessos dessa fase foi o TD, que representou um avanço significativo em relação ao antecessor, o TC.

A proposta da marca sempre priorizou o prazer ao dirigir, mesmo às custas de conforto. O TC levava esse conceito ao extremo: um esportivo puro, rígido a ponto de descolar obturações e provocar dores nas costas. Era a combinação direta de dor e prazer. Primeiro MG do pós-guerra, manteve volante do lado direito, rodas raiadas e eixo rígido dianteiro.

MG TD
MG TDMarco de Bari/Quatro Rodas

Apesar de exportar cerca de dois terços da produção aos EUA, a MG sabia que parte do público rejeitava as agruras do TC. O caminho natural era evoluir, incorporando elementos de conveniência que suavizassem a experiência ao volante sem trair a essência esportiva.

Apresentado em 1950, o TD cumpriu esse papel ao evoluir sem comprometer a identidade da marca. Embora mais largo e mais baixo, mantinha o conjunto visual praticamente intacto: radiador vertical, portas recortadas, para-lamas longos que formavam os estribos e para-brisa basculante.

MG TD
MG TDMarco de Bari/Quatro Rodas
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Ainda assim, a transição gerou controvérsia entre puristas. As rodas raiadas de 19 polegadas deram lugar a rodas de aço estampado, convencionais, de 15 polegadas. A decisão tinha foco no volume de produção, já que eram mais baratas e dispensavam trabalho artesanal especializado.

Os avanços, porém, faziam sentido. O chassi mais largo e rígido ampliava o espaço interno. O motor seguia o mesmo 1.250 cm³ de quatro cilindros e 54 cv do TC, com velocidade máxima de 124 km/h e 0 a 100 km/h em longos 22,6 segundos. Ainda assim, o TD era daqueles carros que entregam mais do que os números sugerem.

Pela primeira vez, um MG oferecia opção de direção do lado esquerdo, com precisão garantida pelo sistema de pinhão e cremalheira. A suspensão dianteira independente também estreava, elevando o conforto e a dirigibilidade a um patamar inédito para a marca.

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MG TD
MG TD, modelo 1952, em prova de subida de montanha realizada em 1985Saulo Mazzoni/Quatro Rodas

Outra concessão ao mercado americano foi a adoção de itens de conveniência como rádio e ar-quente. O painel de madeira era novo, mas mantinha a simplicidade funcional: seguia sem marcadores de temperatura ou combustível e contava apenas com uma luz-espia para indicar os 11 litros restantes no tanque.

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Em 1951 surgiu o TD Mark II, com taxa de compressão mais alta, carburadores maiores e suspensão recalibrada. A potência subiu para 57 cv, reduzindo o tempo de 0 a 100 km/h para 19 segundos e elevando a máxima a 130 km/h. Rodas e pneus mais largos apareciam na lista de opcionais.

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Mesmo tendo vendido três vezes mais que o TC — foram 30.000 unidades produzidas entre 1950 e 1953 —, o estilo inspirado nos anos 1920 já não competia com rivais como Triumph TR2 e Austin Healey 100. Seu sucessor, o TF, adotaria linhas mais aerodinâmicas e encerraria a dinastia da série T da MG.

MG à moda brasileira

MP Lafer
O roadster Brasileiro, réplica autorizada da MG tinha chassi e motor de VWAcervo/Quatro Rodas

Para os brasileiros, o MG TD tem valor importante: ele deu origem ao fora de série MP Lafer, feito sobre chassi de Fusca entre 1974 e 1988, por um fabricante de móveis. Mas o inglês continua vivo até hoje, sob forma da réplica TD2000, fabricada pela TD Cars na Malásia.

Mp Lafer
MP LaferAcervo/Quatro Rodas
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source https://quatrorodas.abril.com.br/carros-classicos/mg-td-historia-e-evolucao-serie-t/

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