Jim Farley, CEO da Ford, afirmou que repensou as estratégias da montadora diante da pressão da Tesla no mercado interno e da onda das fabricantes chineses no exterior, e descreveu o momento como “chocante”. As declarações foram concedidas ao podcast Office Hours: Business Edition.
“Todas as montadoras tradicionais estão muito atrasadas, mas a Ford ainda tinha mais para recuperar o tempo perdido. Foi uma jornada muito humilhante que percorremos em termos de qualidade e custo. Esses são aspectos básicos para uma empresa industrial”, disse o CEO da Ford.
Ele explicou que houve uma grande transformação nos últimos cinco anos e a Ford deveria se adequar em três pontos principais: o sistema industrial, a escolha de tecnologia certa para sua estratégia de veículos elétricos, tratar os veículos como dispositivos digitais e, com isso, agregar mais serviços ao negócio.
Em outro momento, Farley disse que os engenheiros da Ford ficaram surpresos quando começaram a desmontar tanto o Tesla Model 3 e outros carros elétricos fabricados na China – como o Xiaomi que o próprio Farley disse ter usado no dia a dia. Para ele, essas montadoras estão muito à frente em relação a custo, eficiência e integração de software.

O que a Ford descobriu?
Os engenheiros da Ford descobriram, por exemplo, que um Mustang Mach-E tinha 1,6 km a mais de fiação elétrica em comparação com o Model 3, o que adicionava 32 kg em peso e complexidade desnecessários.
“Nós não usamos essa abordagem sistêmica para analisar os custos em um motor de combustão interna”, declarou o executivo. Até aquele momento, a Ford tratava os motores elétricos da mesma forma que trata os motores a combustão.

Essa descoberta, entre outras, convenceram Farley a separar as operações elétricas da empresa em uma divisão dedicada, a denominada “Model E”, isso em 2022.
“Eu acredito que o Model E foi uma grande decisão para a companhia, porque expôs nossas perdas de US$ 5 bilhões por ano com os veículos elétricos aos olhos dos investidores”, concluiu o executivo.
