A Iveco aceitou uma proposta de aquisição por parte da Tata Motors, empresa indiana com atuação global no setor de veículos, que também é dona de Jaguar e Land Rover. A negociação foi fechada por 3,8 bilhões de euros (cerca de R$ 24,1 bilhões) e deve ser concluída até setembro de 2026. Com o acordo, as duas companhias pretendem formar um dos maiores grupos mundiais de veículos comerciais e industriais.
O processo se iniciou quando a TML Holdings, uma subsidiária da Tata registrada na Holanda, demonstrou interesse através de uma oferta pública de aquisição. A proposta recebeu o aval da CNH Industrial, atual controladora da Iveco. Parte da divisão de defesa da marca italiana será desmembrada do negócio e vendida separadamente, por 1,7 bilhão de euros (aproximadamente R$ 10,8 bilhões), o que não interfere na operação principal.

A venda surge em um momento de dificuldades financeiras para a Iveco. A marca tem enfrentado limitações em seu portfólio de produtos e na capacidade de investimento. O furgão Daily, modelo mais conhecido da empresa, ainda representa o maior volume de vendas, mas não há novidades em segmentos de maior valor agregado, como caminhões pesados e ônibus.
Nos últimos anos, a Stellantis tem colaborado com a Iveco por meio de acordos de rebranding, principalmente para veículos comerciais leves. Ainda assim, a empresa continua dependente de aportes financeiros pontuais para manter a operação.
Ao assumir o controle da Iveco, a Tata Motors amplia sua presença no mercado europeu e ganha acesso a uma estrutura consolidada de engenharia e produção. A expectativa é que o grupo resultante da fusão atinja vendas anuais de até 540 mil unidades, com faturamento estimado em 22 bilhões de euros — o equivalente a cerca de R$ 139,5 bilhões.

A diferença do controle geográfico entre as empresas é vista como um dos principais ativos do negócio: enquanto a Tata tem presença forte na Ásia, África e América Latina, a Iveco continua relevante na Europa Ocidental e em alguns mercados do Leste Europeu.
A estrutura societária será reorganizada, mas a sede da nova operação europeia continuará na Itália. O nome Iveco continuará mantido, pelo menos nos mercados em que a marca já tem um reconhecimento consolidado. A gestão será compartilhada entre executivos das duas empresas, com foco na ampliação da gama de produtos e no avanço da eletrificação de frotas.

O impacto da aquisição deve ser sentido principalmente nos setores de transporte urbano, logística pesada e serviços públicos. A nova empresa terá condições de disputar espaço com grupos como Daimler Truck, Volvo e Traton (do Grupo Volkswagen), que já operam de forma integrada em diversas regiões do mundo.
No curto prazo, a Iveco continuará operando de forma independente, até que a integração seja formalizada. A transação ainda depende da aprovação de autoridades regulatórias da União Europeia e da Índia. A previsão é que todas as etapas estejam concluídas até o segundo semestre de 2026.


